Por que a mesma fórmula dá resultado diferente em duas coloristas
Você já anotou a fórmula certinha, seguiu o passo a passo do jeito que aprendeu, aplicou do mesmo jeito que fez semana passada, e o resultado saiu diferente? Numa cliente ficou lindo. Na outra, ficou puxado, ou mais claro do que devia, ou não pegou como devia. E aí bateu aquela pergunta que ninguém responde direito: eu fiz alguma coisa errada?
Presta atenção: você não fez nada errado na fórmula. O que mudou não foi a receita, foi o cabelo que chegou na sua cadeira. E é exatamente aí que mora a maior causa de insegurança na hora da cor, minhas coloristas: a gente aprende a decorar fórmula, mas ninguém ensina que mesma fórmula, resultado diferente no cabelo é o cabelo falando antes de você aplicar qualquer coisa.
Por que a mesma fórmula muda de resultado entre duas coloristas
Eu já morei nesse lugar. No começo, eu também achava que colorimetria era matemática de fórmula: tantos gramas disso, tantos volumes daquilo, aplica, espera o tempo, enxágua. Só que duas clientes com o mesmo objetivo de cor nunca chegam com o mesmo cabelo. E o cabelo é quem manda no resultado, não a fórmula.
A fórmula é só a metade da conta. A outra metade é o fio que está na sua frente: a estrutura dele, o fundo de clareamento que ele já tem escondido, e o histórico químico que ele carrega. Quando você não lê essas três coisas antes de aplicar, você está torcendo pra fórmula dar certo, não decidindo com segurança que ela vai dar.
Não invento rotas, vou pela rota mais fácil, mais prática e mais objetiva. E a rota mais segura na hora da cor não é decorar fórmula, é ler o cabelo antes.
A Leitura em 3 Tempos: o que você precisa olhar antes da fórmula
No Método Cor Segura eu ensino isso pela Leitura em 3 Tempos, e ela é simples de aplicar porque segue sempre a mesma ordem: estrutura, depois fundo, depois frente. Quando você entende o básico de verdade, consegue fazer tudo.
1. Estrutura: o cabelo aguenta o que você vai pedir pra ele?
Antes de pensar em cor, você precisa saber se aquele fio tem corpo pra receber o processo. Fio fino, poroso, com química recente, se comporta de um jeito completamente diferente de um fio grosso e virgem. É por isso que a mesma fórmula que rendeu um resultado perfeito numa cliente de cabelo saudável pode processar rápido demais, ou de menos, numa cliente com o fio mais fragilizado. A estrutura decide a velocidade e a intensidade com que a cor vai agir.
2. Fundo de clareamento: o que já está embaixo do cabelo
Todo cabelo tem uma cor de base escondida, que só aparece quando você clareia. Esse é o fundo de clareamento, e ele muda de cliente pra cliente mesmo que os dois cabelos pareçam da mesma cor por fora. Se você não sabe qual fundo vai aparecer, você aplica a mesma fórmula duas vezes e recebe duas respostas diferentes, porque uma tinha um fundo mais avermelhado e a outra um fundo mais amarelado, por exemplo. Aqui é onde entra a lógica que eu mais repito pra minhas coloristas: a Estrela de Oswald não tem seis lados, ela tem dois. Cores quentes de um lado, frias do outro, uma neutraliza a outra. Quando você lê o fundo certo, você já sabe pra que lado a fórmula precisa puxar antes mesmo de misturar o produto.
3. Frente: o resultado final que a cliente espera
Só depois de ler a estrutura e o fundo é que entra a frente, que é o resultado que você e a cliente combinaram. A fórmula existe pra te levar até essa frente, mas ela só chega lá se você já sabe de onde está partindo. É por isso que a mesma receita, no papel, produz caminhos diferentes: uma colorista está partindo de um ponto, a outra está partindo de outro, mesmo que a régua de chegada pareça igual.
Por que decorar fórmula trava a colorista
Quando você aprende fórmula pronta sem entender a lógica por trás, você fica refém do cabelo que combinar com aquela fórmula. No dia em que chega uma cliente diferente, a insegurança toma conta, porque você não sabe o porquê daquele resultado, só sabe repetir o passo a passo. E cabelo não é uma linha de produção, cada fio que senta na sua cadeira é único.
Eu ensino minhas alunas a pensar diferente: não decoro fórmula, eu ensino a lógica da cor. Isso muda tudo, porque no dia em que a fórmula "de sempre" não se comportar do jeito esperado, você não trava. Você olha pro fio, lê a estrutura, lê o fundo, e ajusta a rota com segurança, sem depender de sorte.
Um exemplo de salão pra ficar claro
Imagina duas clientes que pedem a mesma mecha loira, com a mesma fórmula de produto e o mesmo volume de água oxigenada. A primeira tem o cabelo com histórico de coloração antiga, mais poroso, e um fundo de clareamento mais alaranjado. A segunda tem o cabelo virgem, mais resistente, com um fundo mais amarelado. Se você aplicar a fórmula igual nas duas sem fazer a leitura antes, a primeira corre o risco de clarear rápido demais e ainda sobrar laranja, enquanto a segunda pode demorar mais pra atingir o mesmo ponto. Não foi a fórmula que errou. Foi a leitura que faltou antes dela.
É exatamente esse tipo de situação que separa a colorista que trabalha no medo daquela que trabalha com segurança. A segunda sabe, antes de aplicar, o que esperar de cada fio, porque ela leu o cabelo primeiro e usou a fórmula depois, como ferramenta, não como aposta.
Como aplicar isso no seu próximo atendimento
- Antes de bater a fórmula, olhe e toque o fio: ele está mais fino, mais poroso, mais ressecado do que o que você imaginou?
- Puxe o histórico da cliente: já teve coloração, alisamento, ou química recente que pode ter mudado a estrutura?
- Observe o fundo de clareamento que costuma aparecer em fios parecidos com aquele, e não em cabelos "parecidos por fora"
- Só depois disso, decida a fórmula, o tempo de pausa e o volume de oxidante, com a lógica dos 2 lados da Estrela de Oswald guiando a escolha
Quando você troca "vou aplicar a fórmula que sempre uso" por "vou ler esse cabelo e escolher a fórmula certa pra ele", o resultado deixa de ser surpresa. Ele passa a ser consequência de uma leitura bem feita.
O problema nunca foi você
Se alguma vez você se cobrou demais porque a mesma fórmula não repetiu o mesmo resultado, presta atenção nisso: o problema nunca foi você. Foi que ninguém te ensinou que existe uma leitura antes da fórmula. Cabelo não segue receita de bolo, cada fio conta a própria história antes de você decidir a cor dele.
Adulto não faz só o que gosta, faz o que precisa ser feito, e ler o cabelo antes de aplicar é isso: é o passo que não aparece na fórmula pronta, mas que é o que realmente garante o resultado. Quando você entende essa lógica, você para de repetir fórmula no escuro e passa a decidir com os olhos abertos, sabendo exatamente por que aquele cabelo vai responder daquele jeito.
Eu já morei nesse lugar de insegurança, e sei o que está do outro lado: é a segurança de sentar a cliente na cadeira e já saber, antes de misturar qualquer coisa, o que aquele fio vai te entregar.
Joelma Lorena é especialista em colorimetria capilar e criadora do Método Cor Segura. Mais de 12.000 atendimentos no salão e mais de 100 alunas formadas. Conheça a história dela.
Ficou com alguma dúvida sobre esse assunto? Me chama no Instagram que eu te respondo por lá, minha colorista. 💛
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